Só é permitido alisar com os ativos que constam da lista da Anvisa, e o formol não é um deles. “Sem formol” no rótulo também não garante que o produto seja regular: houve alisante rotulado assim usando ácido glioxílico, que não é autorizado para alisamento. Quem revende produto irregular responde junto — então vale saber conferir.
O que a Anvisa permite para alisar
A orientação da Anvisa sobre alisantes, com base na Instrução Normativa nº 124/2022, lista os ativos permitidos:
- ácido tioglicólico e seus sais
- ésteres do ácido tioglicólico
- hidróxido de sódio, de potássio, de lítio e de guanidina
- sulfitos e bissulfitos inorgânicos
- pirogalol
A lista é fechada. Ativo que não está nela não pode ser usado com a finalidade de alisar ou ondular.
Onde o formol entra — e onde não entra
O formol tem uso permitido em cosmético, mas não para alisar. Ele é autorizado como conservante, em concentração de até 0,2%, e como endurecedor de unhas, até 5%. Qualquer uso como alisante está fora da norma, independentemente da concentração.
O caso do ácido glioxílico
Este é o ponto que pegou muita gente. O ácido glioxílico passou a ser usado em produtos vendidos como “progressiva sem formol”, e a leitura natural do lojista foi: sem formol, então está tudo certo.
Não está. O ácido glioxílico não consta da lista de ativos permitidos para alisamento, e a Anvisa publicou o Informe de Segurança GGMON nº 03/2025 tratando de notificações associadas a alisantes. A regra, portanto, é a mesma de sempre: o que vale é o registro do produto, não a frase do rótulo.
Como conferir antes de comprar
Três verificações resolvem quase todos os casos:
- Procure o número de registro ou notificação na Anvisa, que deve estar no rótulo, e confirme na consulta pública do órgão.
- Leia a composição, não a chamada da embalagem. O ativo de alisamento aparece na lista de ingredientes.
- Peça a documentação ao fornecedor. Distribuidora que trabalha com produto regularizado tem isso à mão e não se incomoda com a pergunta.
O risco de quem revende
Revender produto irregular não é problema só do fabricante. A mercadoria está no seu estoque, sai com a sua nota e chega ao consumidor pela sua mão. Em uma fiscalização, quem está com o produto responde.
Há ainda o risco comercial, que costuma doer antes: cliente que teve problema com um produto não volta ao salão para reclamar do fabricante. Ele para de voltar.
O que fazer com o estoque em dúvida
Separe, não venda e procure o fornecedor com o número de lote em mãos. Se o produto for irregular, a devolução é o caminho — e é mais um motivo para comprar de quem emite nota: sem NF-e não há como comprovar a origem nem devolver.
Este texto descreve a norma vigente e o procedimento de conferência. A responsabilidade sanitária pela composição, pela segurança e pelas alegações de cada produto é do fabricante, e consta do registro dele na Anvisa.
Preço de atacado é para quem revende. Ele não fica exposto na internet aberta porque o preço que sustenta a sua margem não pode estar à vista do seu cliente final. O catálogo da TBA é aberto — você vê os produtos sem cadastro; a tabela aparece depois que o CNPJ é aprovado.
