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Formação de preço para micro e pequenos: o método

A maior parte dos preços praticados por pequenos negócios foi definida por imitação, não por cálculo. Olha-se o concorrente, arredonda-se, e pronto. Funciona até o dia em que o custo sobe, a venda cai, ou o dono percebe que vende muito e não sobra nada. Este texto é sobre o método — ele vale em qualquer estado e qualquer regime.

1. Margem e markup não são a mesma coisa

É a confusão que mais custa dinheiro no varejo pequeno.

  • Markup é quanto você multiplica o custo.
  • Margem é quanto sobra do preço de venda.

Quem compra por cem reais e “põe cinquenta por cento” vendendo por cento e cinquenta não tem margem de cinquenta por cento — tem trinta e três. A conta certa parte do preço, não do custo:

Preço = Custo ÷ (1 − margem desejada)

Para margem de cinquenta por cento sobre cem reais de custo, o preço é duzentos, não cento e cinquenta.

Decida sempre em margem. Markup serve para a etiqueta; margem serve para saber se o negócio paga as contas.

2. Custo não é só o que está na nota

O custo de um item que você revende inclui:

  • o valor da nota (descontado o que você recupera de imposto, se o seu regime permitir);
  • frete rateado — e em cosmético isso pesa, porque a mercadoria é volumosa e leve;
  • perdas: validade, quebra, furto, amostra;
  • embalagem, se você embala.

Ignorar frete e perda é o descuido mais comum, e ele some no meio do mês: cada venda parece boa e o caixa não fecha.

3. O custo fixo precisa estar no preço

Aluguel, luz, salário, sistema, contador: essas contas chegam mesmo que você não venda nada. Elas têm de sair de algum lugar, e o único lugar é a margem.

O jeito prático de trazer o custo fixo para o preço:

  1. Some o custo fixo mensal.
  2. Divida pelo faturamento mensal médio. Isso dá o percentual do custo fixo.
  3. Some esse percentual dentro do parêntese da fórmula, junto com imposto e taxa de cartão.

Exemplo ilustrativo: se o custo fixo é de seis mil reais por mês e o faturamento médio é de trinta mil, o custo fixo representa vinte por cento do faturamento. Esse percentual precisa estar no preço, ou a margem que você acha que tem é margem bruta — não é lucro.

4. Ponto de equilíbrio: o número que dá sono tranquilo

É quanto você precisa vender para não ter prejuízo. A conta:

Ponto de equilíbrio = custo fixo ÷ margem de contribuição em percentual

A margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois de tirar o custo do produto e as despesas variáveis (imposto, cartão, comissão).

Exemplo ilustrativo: custo fixo de seis mil reais e margem de contribuição de trinta por cento → seis mil dividido por zero vírgula trinta = vinte mil reais de faturamento para empatar. Abaixo disso, o mês dá prejuízo mesmo com a loja cheia.

Saber esse número muda a gestão: você para de olhar só o caixa do dia e passa a olhar quanto falta para o mês virar.

5. Nem tudo precisa da mesma margem

Aplicar o mesmo percentual ao catálogo inteiro é simples e é caro. Os produtos têm papéis diferentes:

  • Itens de referência de preço — aqueles que o cliente sabe quanto custam e usa para julgar se a loja é cara. Margem menor, porque eles trazem gente.
  • Itens de giro — vendem sempre. Margem média, e é o que sustenta o caixa.
  • Itens de margem — o cliente não tem referência de preço. Margem maior.
  • Itens de conveniência — comprados por necessidade imediata. Aceitam margem maior.

O resultado do mês vem do conjunto, não de cada item isolado.

6. Giro muda tudo

Margem alta com giro baixo pode render menos que margem baixa com giro alto. O que interessa é quanto aquele espaço de prateleira gera por mês, não o percentual da etiqueta.

Um item com trinta por cento de margem que gira quatro vezes por mês rende mais que um de sessenta por cento que gira uma vez a cada dois meses — e ainda imobiliza menos dinheiro.

7. O preço psicológico entra depois da conta, nunca antes

Terminar em nove ou em noventa centavos funciona, e é prática consolidada. Mas isso é acabamento: faça a conta, chegue ao número, e só então arredonde — sempre para cima. Arredondar para baixo é dar desconto sem perceber.

8. Desconto tem de ser calculado, não sentido

Desconto sai inteiro da margem. Dez por cento de desconto num item com trinta por cento de margem tira um terço do seu lucro naquela venda, não dez por cento.

Antes de dar desconto, saiba quanto precisa vender a mais para compensar. Quase sempre o número assusta — e é essa a utilidade da conta.

Os cinco erros que mais corroem resultado

  1. Somar a porcentagem ao custo em vez de dividir pelo complemento.
  2. Esquecer o frete e a perda no custo.
  3. Não pôr o custo fixo no preço e confundir margem bruta com lucro.
  4. Nunca revisar. Preço definido uma vez e mantido dois anos é prejuízo silencioso.
  5. Copiar o preço do concorrente sem saber o custo dele — a estrutura de custo dele não é a sua.

O hábito que resolve

Uma revisão por trimestre, com três perguntas: o custo mudou? o custo fixo mudou? a alíquota mudou? Se qualquer uma for sim, a tabela precisa ser refeita.

E uma conferência a cada pedido novo: o custo do que acabou de chegar bate com a etiqueta que está na prateleira?


Preço de atacado é para quem revende. Ele não fica exposto na internet aberta porque o preço que sustenta a sua margem não pode estar à vista do seu cliente final. O catálogo da TBA é aberto — você vê os produtos sem cadastro; a tabela aparece depois que o CNPJ é aprovado, já calculada para o enquadramento da sua empresa.

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Formação de preço no Simples Nacional: a conta certa

No Simples Nacional, o imposto que veio na nota de compra é custo — não vira desconto. E o imposto da sua venda sai todo mês na guia única, calculado sobre o faturamento. Essas duas frases mudam completamente a conta do preço, e é por elas que muito lojista do Simples descobre no fim do mês que a margem era menor do que ele achava.

O que entra no custo

No Simples, o custo de um produto para revenda é tudo o que você pagou para ele chegar à sua prateleira:

  • o valor total da nota, com o imposto dentro — você não recupera nada dele;
  • o frete, rateado pelos itens do pedido;
  • o que se perde: quebra, validade, furto.

É mais simples que no Regime Normal, e essa é a única boa notícia: não há crédito para calcular. O que está na nota é custo, ponto.

O que sai do preço de venda

Aqui está o que mais gente esquece. Do valor que o cliente paga, sai:

  • a guia única (DAS), calculada sobre o faturamento do mês;
  • a taxa do cartão, se ele pagou assim;
  • e só então sobra a sua margem.

A alíquota do Simples não é fixa: ela depende da faixa de faturamento dos últimos doze meses e da atividade. Quanto mais a empresa fatura, maior a alíquota efetiva. Descubra a sua — ela aparece na declaração mensal (PGDAS-D) e o seu contador informa em um minuto. Não use percentual de blog, inclusive este.

A fórmula

A conta que funciona é esta:

Preço = Custo ÷ [ 1 − ( alíquota do Simples + taxa de cartão + margem desejada ) ]

Repare que tudo o que sai do preço entra no mesmo parêntese. É exatamente aí que a maioria erra: soma o imposto ao custo em vez de descontá-lo do preço, e a margem real sai menor.

Exemplo, só para a conta ficar clara. Os números são inventados para o exemplo e não representam o seu caso.

Um produto que custou vinte reais na nota, com dois reais de frete rateado: custo de vinte e dois reais.
Supondo alíquota do Simples de sete por cento, taxa de cartão de três por cento e margem desejada de trinta por cento:

22 ÷ [ 1 − (0,07 + 0,03 + 0,30) ] = 22 ÷ 0,60 = pouco mais de trinta e seis reais.

Se você tivesse feito “custo mais trinta por cento”, chegaria a vinte e oito reais e sessenta — e depois de pagar imposto e cartão sobraria bem menos que trinta por cento.

A armadilha da faixa

Este é o ponto que ninguém avisa: quando o faturamento cresce, a alíquota sobe. A empresa que vendia bem em janeiro pode estar numa faixa maior em julho, com a mesma tabela de preço da virada do ano — e margem menor em cada venda, sem ter mudado nada.

O hábito que resolve: conferir a alíquota efetiva a cada trimestre. Se mudou de faixa, a tabela precisa ser refeita.

O que mudou em São Paulo em abril de 2026

Para quem é de SP e vende cosmético, houve uma mudança que afeta diretamente esta conta. Até março, essa linha de receita era declarada como mercadoria com substituição tributária, e o ICMS não entrava no cálculo da guia única. Desde 1º de abril, com o fim da ST no segmento, ele voltou a entrar.

Ou seja: a mordida da guia sobre aquela receita aumentou. Em compensação, o produto deveria chegar mais barato, porque o imposto antecipado sobre margem presumida saiu do preço de compra — se o fornecedor tiver repassado.

Se você não refez a tabela desde março, essas duas mudanças estão acontecendo na sua operação sem aparecer na sua planilha.

As três perguntas para levar ao contador

  1. Qual é a minha alíquota efetiva hoje, e em que faixa estou?
  2. Desde abril, quanto subiu o imposto sobre a receita de cosméticos?
  3. Estou declarando essa receita no campo certo, agora que ela não tem mais ST?

Este texto não substitui o seu contador. A alíquota efetiva do seu regime, a classificação dos seus produtos e o efeito de cada tributo dependem do seu caso concreto. Use o método daqui; confirme os números com quem cuida da sua contabilidade.


Preço de atacado é para quem revende. Ele não fica exposto na internet aberta porque o preço que sustenta a sua margem não pode estar à vista do seu cliente final. O catálogo da TBA é aberto — você vê os produtos sem cadastro; a tabela aparece depois que o CNPJ é aprovado, já calculada para o enquadramento da sua empresa.

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Formação de preço no Regime Normal: crédito e débito

No Regime Normal, o valor da nota não é o seu custo. Parte do imposto que veio nela volta como desconto no que você tem a pagar. Quem precifica sobre o valor cheio da nota está embutindo um custo que não existe — e ficando caro sem necessidade.

O custo real: o que você desembolsa menos o que recupera

A lógica do Regime Normal é débito e crédito: o imposto destacado na compra vira crédito; o imposto da sua venda vira débito; você recolhe a diferença. Na prática, isso significa que o ICMS destacado na nota de entrada não é custo — é adiantamento.

Então o custo para precificar é:

Custo = valor da nota − impostos recuperáveis + frete + perdas

Quais impostos são recuperáveis depende do seu caso — além do ICMS, há o regime de PIS e COFINS, que muda conforme a apuração da empresa. Essa lista quem monta é o contador, uma vez, e vale para todo o catálogo.

O que sai do preço de venda

  • ICMS da venda, na alíquota do produto;
  • PIS e COFINS, conforme o regime;
  • taxa de cartão, se houver;
  • e a sua margem.

A fórmula é a mesma do Simples, com um parêntese mais cheio:

Preço = Custo líquido ÷ [ 1 − ( impostos sobre a venda + taxa de cartão + margem ) ]

A alíquota é por produto, não por prateleira

Este é o detalhe que mais custa dinheiro em cosmético, e ele não tem nada a ver com regime: a alíquota de ICMS depende do código fiscal do produto, o NCM.

Em São Paulo, por exemplo, xampu e máscara capilar — que ficam lado a lado na mesma prateleira, às vezes da mesma linha — têm alíquotas internas diferentes. Se a sua tabela aplica o mesmo percentual aos dois, um deles está com a margem errada.

A conferência é produto a produto, pelo NCM do seu catálogo. Nenhuma tabela genérica substitui isso, e em outros estados as alíquotas são outras.

O que mudou em São Paulo em abril de 2026

Até março, cosmético vinha com substituição tributária: o imposto de toda a cadeia já estava pago, calculado sobre uma margem presumida de cerca de setenta por cento. Você não destacava ICMS na venda, e também não tinha crédito nenhum a aproveitar.

Desde 1º de abril, a mecânica é a comum: crédito na entrada, débito na saída, imposto sobre o que você realmente agregou.

Isso costuma ser bom para quem trabalha com margem menor que a presumida — que era o caso de boa parte do varejo. Mas exige refazer a tabela, porque o número que você usava como custo mudou de natureza.

O erro que aparece na transição

Muita empresa continuou precificando sobre o valor cheio da nota depois de abril. O resultado é preço alto demais: você embutiu no preço um imposto que agora recupera como crédito, e ainda vai pagar o imposto da venda por cima.

O sintoma é simples de reconhecer: margem contábil melhor do que a esperada e venda caindo. Se isso está acontecendo, a tabela é o lugar para olhar.

As quatro perguntas para levar ao contador

  1. Quais impostos eu recupero na compra desses produtos?
  2. Quais alíquotas de ICMS se aplicam aos meus produtos, por NCM?
  3. Nosso sistema foi reparametrizado em abril, com os códigos certos na nota?
  4. Comprando de fornecedor de outro estado, quanto recolho de diferencial?

Este texto não substitui o seu contador. A alíquota efetiva do seu regime, a classificação dos seus produtos e o efeito de cada tributo dependem do seu caso concreto. Use o método daqui; confirme os números com quem cuida da sua contabilidade.


Preço de atacado é para quem revende. Ele não fica exposto na internet aberta porque o preço que sustenta a sua margem não pode estar à vista do seu cliente final. O catálogo da TBA é aberto — você vê os produtos sem cadastro; a tabela aparece depois que o CNPJ é aprovado, já calculada para o enquadramento da sua empresa.